Variedades | Artigos

Avaliação Nutricional

AVALIAÇÃO NUTRICIONAL

Um dos pontos importantes a serem discutidos quando se fala em obesidade e cirurgia é a avaliação nutricional. Esta compreende a avaliação do paciente com orientações e esclarecimentos quanto à necessidade de alterações de hábitos alimentares imediatos e tardios. Na consulta pré-operatória serão apresentados e esclarecidos os cuidados alimentares que o paciente deverá ter tanto imediatamente quanto em relação à evolução de sua dieta, no período pós-operatório.

Segundo o Consenso Latino Americano de Obesidade (2003) a avaliação baseia-se no grau de adiposidade, tendo com o índice de massa corporal (IMC) um método prático e eficiente para classificá-la. Serão considerados indivíduos normais aqueles que apresentarem valores de IMC entre 18,5 e 24,99; com Sobrepeso entre 25 e 29,99; com Obesidade grau I entre 30 e 34,99; com Obesidade grau II entre 35 a 39,99 e Obesidade grau III indivíduos com IMC ? 40 (OMS, 1998).

Para a OMS considerar o indivíduo obeso e com risco de comorbidades, o IMC deve estar acima de 30. Quando este valor ficar entre 35 e 39,9 o risco torna-se muito alto e acima de 40 extremo, ficando assim classificado como obesidade mórbida ou severa.

Além da classificação da obesidade, segundo o IMC, ainda podemos classificá-la conforme a distribuição de gordura ou com o segmento corporal predominante. Poderemos ter a obesidade andróide, onde a distribuição da gordura está mais concentrada na região abdominal, sua forma lembra uma maçã e se relaciona com maiores riscos cardiovasculares e complicações metabólicas; a obesidade ginóide, caracterizada por maior depósito de gordura na região dos quadris é mais frequente em mulheres, sua forma lembra uma pêra e relaciona-se mais com doenças vasculares periféricas e ortopédicas, como por exemplo, artroses e varizes. Poderemos ter ainda a obesidade generalizada, onde a gordura fica distribuída ao longo de todo o corpo de forma uniformizada.

Outra forma prática para avaliação nutricional dos pacientes é a obtenção da relação entre a cintura e o quadril (RCQ) e ficando os valores com risco de complicações metabólicas quando a circunferência abdominal para homens estiver ? 102 cm e para mulheres ? 88 cm.

Os parâmetros bioquímicos devem ser considerados para avaliação e servem como auxiliares para estabelecer o diagnóstico nutricional. Alguns exames, como glicemia, colesterol, HDL, LDL, triglicerídeo e hemograma, serão solicitados para verificar a presença doenças que podem estar associadas à obesidade.

O exame físico também será realizado e utilizado para o acompanhamento durante a perda de peso. Dentre eles o acompanhamento através do exame de bioimpedância que consiste em um método de quantificação da composição corporal através da passagem de uma corrente elétrica pelo mesmo. Através deste exame é possível acompanhar a perda de peso de forma fragmentada, referente à massa magra e gorda do corpo, permitindo assim um melhor acompanhamento do estado nutricional do paciente.

Quanto à historia dietética, esta é obtida através de entrevistas com o paciente onde são abordadas as características individuais. Serão questionados o apetite, sintomas gastrointestinais como diarréia e constipação pré-existentes, uso de drogas e álcool, habilidade para mastigar ou deglutir, uso de medicamentos, suplementos, restrições alimentares, preferências, intolerâncias e alergias.

Deverão ser abordados também os tipos de tratamentos já realizados pelo paciente. Se foram realizados com acompanhamento médico ou não, envolveram medicamentos e o período em que cada tratamento ocorreu. Serão abordados igualmente o sucesso e as frustrações que ocorreram durante os períodos compreendidos pelas dietas.
Sendo assim, após a cirurgia, a cada retorno às consultas, o paciente será reavaliado e questionado sobre a alimentação e a presença de sintomas como vômitos, fadiga, cãibras, queda de cabelo, unhas quebradiças, hemorragia da gengiva e diarréia intensa. Este questionamento tem o intuito de diagnosticar qualquer deficiência nutricional que possa se tornar mais grave. Deve-se observar também, atentamente, a pele, enfocando a palidez e a seborréia nasolabial.

Sibele Prates Miranda Corrêa
Nutricionista, Especialista em Obesidade e Emagrecimento
CRN2 2927